A abstração da “Pátria”

Esse ano entrei em um grupo de pesquisa sobre “Migrações, Identidade e Religião: o caso dos haitianos em SP”, então, me inteirei bastante sobre um assunto que anda pipocando na mídia mundial: MIGRAÇÃO.

O fenômeno migratório é algo inerente aos seres vivos, sejam eles animais ou humanos. Mudar de ambiente e condições para a obtenção de uma vida melhor. Engraçado, muitos animais migram anualmente, entretanto não precisam de nenhuma burocracia para tal. E encontram condições para sua nova morada, seja ela temporária ou efetiva. Não precisam de passaporte, dinheiro, visto ou qualquer coisa do tipo. Simplesmente são livres. Quem dera essa fosse a realidade…

Ano passado minha leitura foi muito focada nos famosos textos anarquistas, de Bakunin à Malatesta, sem deixar passar, obviamente pela Emma Goldman. A crise migratória mundial me fez lembrar de um famoso texto dessa pensadora: Patriotismo, uma ameaça à liberdade, no qual ela aborda as artimanhas de um pensamento “patriota” para manipular as massas e assegurar a indústria. Segue um vídeo com um parágrafo do texto da Emma:

Como uma grande pizza o Planeta foi cortado. “Que haja o nacionalismo!” Cada pedaço da pizza se orgulhe de ser APENAS UM PEDAÇO DE PIZZA. Nacionalismo/patriotismo esse que é construído para gerar bilhões de reais na indústria bélica, que gera xenofobia, etnocentrismo, que gera controle da massa que defende “seu pedaço de pizza” e odeia o outro porque ele não está dentro do formoso triangulo perfeito da pizza.

imperialismo

Nossa pátria é o Mundo, embora temporário. Não existe fronteiras, é abstração pura! É tudo ilusão. Esse é o nosso Planeta:

mapa-mundi-sem-fronteiras-t8300

E não esse:

Mapa_mundi2

Imigrantes, migrantes, emigrantes, refugiados… são apenas termos, nomes que damos. Não importa a “nacionalidade”, somos da mesma espécie, somos seres humanos, e isso é o suficiente. Eu tento entender esses conceitos, mas para mim, minha pequena mente, é tudo muito abstrato. Por que é tão difícil ajudar o próximo? Há um versículo no Bhagavad-Gita que diz: “O homem que abandona todo o anelo e atua sem interesses, livre do sentido do “eu” e do “meu”, este alcança a paz”. (BG 2:71). Estamos impedindo e dificultando a vinda de pessoas para os “NOSSOS” países. Calma, e quem disse que é apenas nosso? Assim disse o Senhor: “A terra não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é MINHA, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes.” (Levítico 25:23). Nada pertence a nós, o fato de eu ter nascido numa determinada região geográfica não faz MINHA a terra. São tantas coisas sem sentido, tantos questionamentos… Como a Bíblia diz: Deus fez as coisas simples, nós é que complicamos (Ec 7:29 – a mensagem).

“Não sou partidário de extinguir todas as diferenças. Quem poderia destruir as diferenças naturais? Acaso não há diferença entre um brahmin, um cão e um comedor de cães? Por certo que há diferenças entre eles, mas o homem que conhece a ciência da vida dirá que em essência não há diferenças entre eles, como não há diferença entre um elefante e uma formiga, um “selvagem” e um sábio; mas este último não deve se sentir superioridade alguma.
Há também outro ponto de vista para o caso. Todos somos iguais em um aspecto, isto é, na imperfeição. Fomos pintados com o mesmo pincel. Nenhum de nós é perfeito. Só o Senhor é Perfeito. E o ser humano está maculado pelo nascimento. Todos estamos maculados, em maior ou menor grau, se examinamos nosso interior. E todavia, a unidade interior interpenetra toda a vida. As formas são muitas, mas o Espírito que dá as formas é Um.” Mahatma Gandhi

Nossa pátria não é aqui, nossa cidadania não é aqui. O aqui e o agora passarão. Entretanto, o que faremos com a estadia no Planeta Terra? Somos pó. Pertencemos ao pó e é para lá que voltaremos. Como eu posso “possuir” algum bem material se eu não sou eterno? Como eu posso dizer que esse país é “meu” se logo não estarei mais aqui? Como eu tenho o direito de “autorizar” que outro ser humano entre ou não entre em um território que não me pertence, mas pertence a Deus, o Criador dos Céus e da Terra? Como posso OUSAR em fazer isso com outras criaturas, que são feitas à imagem e semelhança dEle?

Segue alguns “lembretes” para todos nós:

“Se alguém do seu povo empobrecer e não puder sustentar-se, ajudem-no como se faz ao estrangeiro e ao residente temporário, para que possa continuar a viver entre vocês.
Não cobrem dele juro algum, mas temam o seu Deus, para que o seu próximo continue a viver entre vocês.
Vocês não poderão exigir dele juros nem emprestar-lhe mantimento visando lucro.”
Levítico 25:35-37

“Não oprima o estrangeiro. Vocês sabem o que é ser estrangeiro, pois foram estrangeiros no Egito.” Êxodo 23:9

“Quando um estrangeiro viver na terra de vocês, não o maltratem. O estrangeiro residente que viver com vocês será tratado como o natural da terra. Amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.”
Levítico 19:33,34

“Maldito quem negar justiça ao estrangeiro, ao órfão ou à viúva”. Todo o povo dirá: “Amém! “ Deuteronômio 27:19

“Your voice it thunders/ The ground is shaking/ The mighty mountains now are trembling/ Creation sees You/And starts composing/ The fields and trees they start rejoicing. Holy, Holy Lord/ The earth is Yours and singing/ Holy, Holy”

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