uma criança nascida mulher

uma criança nascida mulher em um país que os níveis de feminicídio só aumentam. uma criança nascida mulher em um lugar que o corpo da mulher é tido como objeto a ser manipulado, dominado, abusado. uma criança nascida mulher onde ainda opera um discurso religioso de que mulheres são menos, mulheres atrapalham a virtude, mulheres não são dignas do divino.

uma criança nascida mulher.

em 10 anos de vida, 4 anos de pesadelos, uma gravidez em um corpo de infantil, um infância manchada. gritos, gritos, gritos. de socorro. de um choro desesperado. de um clamor por salvação de sua vida…

quero que minhas mãos acolham a criança, que sem pudor, está sendo julgada e condenada por outras mãos que carregam armas, violência e um deus bélico. gritos, gritos, gritos. de violência. de palavras infames. barulhos e mais barulhos: tentativa de invasão do hospital. grito, gritos e gritos de morte…

quantas e quantas mulheres não foram alvo dos mesmos gritos: assassina, bruxa, puta…

uma criança nascida mulher com apenas 10 anos!

meu coração, já em cacos, se esfarela quase sem forças e energias. repito incessantemente: kyrie eleison.

queria tantas coisas, como abraçar essa criança e dizer: você, criança nascida mulher, não está só em meio a esses lobos selvagens, estamos juntas, em uma rede de outras tantas crianças também nascidas mulheres: você não está só.

e minha prece é

“não entregues a vida da tua pomba aos animais selvagens; não te esqueças para sempre da vida do teu povo indefeso.” Salmos 74:19

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