Ode ao desencontro

Simone pergunta: por que nos apaixonamos? Ela consegue listar umas dezenas de razões do motivo de se apaixonar, mas na verdade, como ela mesmo disse, são tantas respostas que talvez a pergunta, de fato, não seja tão simples assim. Sabemos, por experiência própria, que realmente não é simples. Você sabe, afinal, já fazem três anos de uma história de desencontros. Se há predestinação, somos predestinados ao fracasso… Nosso amor, se é que podemos dizer assim, não é forte o bastante. É um amor fraquinho, que sempre que a maré avança, se dissipa entre o sal e a água, tornando-se nada. Fluidez pura. Não que eu não ache que a fluidez não tenha seu valor, pelo contrário, acho até mesmo que seja um aspecto positivo, principalmente se tratando de coisas tão sólidas. Como o nó que se tem amarrado com uma matéria até então desconhecida, mas que pode ser entendida como um nó gravitacional que prende para uma não-fluidez, uma não-mudança, para o não-devir. Uma história de desencontros. A minha cabeça gira em torno de memórias que nunca aconteceram, de memórias que nunca acontecerão. Eu sei, e já te disse, te idealizei. Mas qual amante não é idealizado? Não me culpo por isso. Me culpo por ter me apaixonado. Ainda não encontrei as respostas. Na última vez que nos vimos disse que foi uma auto sabotagem, mas também não sei se, de fato, acredito nisso. Talvez, aconteceu porque tinha que acontecer. Não acreditava nessa história de amor à primeira vista, mas acho que me enganei. Lembro perfeitamente daquele dia. Nos últimos tempos decidi seguir em frente. Como já conversamos, não tem o que se resolver, apenas temos que lidar com isso. Cada um do seu jeito. Sem que isso destrua nossa relação, nossa amizade e companheirismo, mesmo que entre idas e vindas. Nosso amor é fraquinho. Não consegue enfrentar vendavais, tradições, costumes. Consegue apenas se manter em uma estufa, morando junto com o manjericão, alecrim e hibisco. Ele tenta se refrescar e purificar em meio a plantas, que mesmo no silêncio da seca de um ano, ainda brotam pequeninas folhas azuis. Essa não é uma carta de adeus, nem de despedida, mas uma ode ao desencontro.

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